No cemitério de Pará de Minas, logo à entrada, repousa Benedito Valadares. Dorme para sempre o mestre da política, cujas lições vencerão os tempos, (…).
                                  Homem de lealdade partidária, dominado sempre pelo estilo mineiro, Benedito Valadares tinha dois componentes fortes na sua personalidade: a simplicidade, dom pessoal, e a bravura nas horas das decisões. Permanentemente acima das maledicências e do fraco humor dos adversários, respondia às análises com o comportamento impertubável de um governante que traçou em definitivo os rumos do desenvolvimento deste Estado.
                                  Criando lideranças novas na área municipal, não prescindiu, entretanto, da colaboração de figuras responsáveis da nossa vida pública, muitas das quais convocou para seu secretariado. Era a soma de valores humanos, capaz de garantir Minas em nível de destaque no plano nacional.
                                   Benedito Valadares, que Getúlio Vargas escolheu para interventor em nosso Estado, foi confirmado na chefia do executivo mineiro como governador. Nos anos seguidos em que exerceu aquela alta função, foi deixando a marca de uma atuação em que se torna visível o interesse em servir à causa do povo.
                                   Infenso à demagogia, preferiu agir nos moldes da realidade. Deu-se bem, pois até o último dia de seu mandato, manteve de pé seu prestígio de homem sempre consultado quando problemas graves reclamavam solução.
                                 A palavra de Valadares era prudente, moderadora, conservando o equilíbrio que não pode faltar nos momentos críticos. O bom senso que tantas vezes evitou a precipitação, que em política, principalmente, é um desastre.
                                 Da pacata Pará de Minas para o Palácio da Liberdade, uma escalada que muitos não conseguiram, Valadares não desmereceu a distinção feita por Vargas. Partiu para uma carreira brilhante, notada pelos que analisam nossa história republicana. (…)
                                Homem que retornou à simplicidade do torrão em que começou sua carreira, com a qual se tornou um dos expoentes da cena política do seu tempo.

(Reprodução de parte do texto do jornalista Antônio Tibúrcio Henriques no jornal “O Luziense, de 12/1980).