por Lóren Graziela Carneiro Lima*

Resumo

Este artigo relata ações educativas que vem sendo desenvolvidas no Museu Histórico de Pará de Minas desde 2010. A finalidade é promover mais interação da comunidade escolar do município e seus distritos com o patrimônio histórico da cidade, por meio do conhecimento e acesso ao acervo do Museu. O artigo apresenta um breve histórico do MUSPAM (Museu Histórico, Documental, Fotográfico e do Som de Pará de Minas), sua proposta de trabalho enquanto casa de memória, e o desenvolvimento de ações educativas para despertar na comunidade local maior interesse e valorização pelo passado e patrimônio histórico da cidade.

Palavras-chave

Museu, Ações Educativas, interação, patrimônio.

Museu Histórico de Pará de Minas

Pará de Minas localiza-se no interior do Estado de Minas Gerais, distante setenta e três (73) quilômetros da capital Belo Horizonte. O MUSPAM, inaugurado em 1984, foi criado com o objetivo de resgatar e preservar a memória do município. O recolhimento de peças, documentos e fotografias relacionados à história-econômico-sócio-cultural de Pará de Minas para a constituição do acervo inicial da instituição realizou-se por meio de campanha promovida pela Associação Pará-Minense de Arte e Cultura (ASPAC). A partir de junho de 1987 o Museu passou por uma reformulação buscando maior dinamização, sendo reinaugurado em 1988. A busca de um espaço mais dinâmico colocou o MUSPAM dentro da Secretaria de Cultura do município, implantada em 1993, como um dos seus órgãos operacionais. O prédio onde funciona é considerado o mais antigo da cidade, reconhecido pela população local como residência de Manuel Baptista, o “Patafufo”, que de acordo com a lenda contada ao longo das gerações, foi um dos fundadores de Pará de Minas. A edificação remanesce da arquitetura típica do Brasil Colônia. Feito de taipa, construído no século XVIII, o prédio sediou a fazenda de Manuel Batista na época do grande fluxo de mineradores entre Sabará e a Vila de Pitangui – sétima Vila de Minas Gerais. Era ponto de pouso, formado ao longo do caminho real para os boiadeiros, os tropeiros, os abastecedores dos centros urbanos. Nesse território ― caminho para Pitangui —, as primeiras arranchações, estalagens, comércio e capela foram surgindo, originando o Arraial do Patafufo, atual Pará de Minas. No século XX, o prédio foi adquirido pela família Castelo Branco, pertencendo a ela até 1980, quando a Prefeitura de Pará de Minas o adquiriu dos herdeiros¹.

O Museu Histórico de Pará de Minas objetiva ser um espaço cultural, referência em exposições, ações educativas, pesquisas e publicações produzidos e produtos da cultura de Pará de Minas. O MUSPAM objetiva também promover o entendimento desta cultura, a preservação da sua memória, de forma dinâmica, interativa com a comunidade. A instituição propõe, ainda, a valorização e preservação do patrimônio cultural e da memória histórica do povo pará-minense, constituindo-se em núcleo referencial e dinâmico de fomento cultural, promoções, pesquisas e disseminação de conhecimentos.

O acervo do museu consiste em sete mil e quatrocentas (7.400) fotografias e mil cento e quatro (1.104) peças relacionadas à história social, política, religiosa e cultural do município. Dentre as peças registram-se objetos artísticos, etnográficos, mobiliários, utensílios de cozinha, armaria, insígnias, indumentária, documentos textuais.

Museu e Ações Educativas

A função dos museus foi muito discutida no Brasil durante a década de 1970, momento em que foi definido seu novo papel como instituição comprometida com a transformação social.

“Ao longo da década de 1970, foram correntes as críticas, oriundas dos mais diversos campos do saber, aos museus. Dizia-se que os museus representavam os lugares das histórias oficiais, do autoritarismo das elites ou ainda das sociedades sem história²”.

A partir dessas discussões, o museu passou a ser cada vez mais um local em que coexiste educação e conservação do patrimônio. Foi deixado para trás o conceito de museu como repositório de objetos com a única finalidade de apresentar coleções.

  • 1CAMPOS, Ana Maria de Oliveira. Histórico do Museu de Pará de Minas. www.muspam.com.br acesso em 20 de janeiro de 2013.
  • 2SANTOS, Myrian Sepúlveda dos. Museus Brasileiros e Política Cultural.Revista Brasileira de Ciências Sociais. vol.19, no55, junho. 2004.

Hoje os museus assumiram a função de proporcionar interação entre passado, presente e futuro. Os Museus possibilitam às comunidades enorme variedade de informações. Por meio de seu acervo e ações educativas podem ser criadas oportunidades de apresentar à comunidade o ontem e o hoje caminhando juntos. Evidenciando as relações entre o passado e o presente, os museus contribuem para uma melhor compreensão da sociedade em que vivemos. É importante o (re) conhecimento da comunidade em relação à suas identidades.
O Museu Histórico de Pará de Minas, por meio de Ações Educativas, busca enfrentar o desafio de promover a aproximação entre patrimônio e o público,promovendo o diálogo entre acervo e comunidade.

Ações Educativas, segundo Denise Grinspum, são:

“Formas de mediação que propiciam aos diversos públicos a   possibilidade de inter­pretar objetos de coleções dos museus,    do  ambiente natural ou edificado, atribuin­do-lhes os mais  diversos sentidos, estimulando-os a exercer a cidadania e a   respon­sabilidade social de compartilhar, preservar e valorizar   patrimônios com excelência e igualdade³”.

Por meio dessas ações é possível sensibilizar os alunos que contarão às suas famílias sobre os museus, sobre o MUSPAM.

A parceria entre o Museu e a Secretaria Municipal de Educação e Superintendência de Ensino de MG mostrou-se eficiente na promoção do diálogo comunidade/patrimônio, no resgate das raízes identitárias da população.

A história de um povo representa-se sob diversas formas no cotidiano da comunidade. Edificações, registros orais e escritos, religiosidade, danças, congados, culinária, artesanato e ofícios compõem seu patrimônio.

  • 3 GRISPUM, Denise. Educação para o Patrimônio: Museu de arte e escola –Responsabilidade compartilhada na formação de públicos. Apud Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais. Superintendência de Museus e Artes Visuais. Coleção Falando de Ação Educativa em Museus. Belo Horizonte. 2011.

Vestígios preciosos da história de Pará de Minas estão resguardados noMUSPAM, cujo objetivo é cuidar da memória que se (re)constrói a cada dia.

De acordo com o Conselho Internacional de Museus (ICOM), o Museu está a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento. É uma instituição aberta ao público, que adquire, conserva, pesquisa, divulga e expõe, para fins de estudo, educação e lazer, testemunhos materiais e imateriais dos povos e de seu ambiente⁴.

Dentro desta proposta, o Museu Histórico de Pará de Minas busca, por meio de ações educativas, trabalhar junto à comunidade escolar no intuito de propiciar o envolvimento de todos ligados à escola, inclusive as famílias dos educandos, na valorização do patrimônio da cidade e sua herança cultural.

As Ações são realizadas por meio de projetos que visam trabalhar a Educação Patrimonial nas escolas seguindo o princípio de que ela pode ser trabalhada dentro de diversas disciplinas em sala de aula, não apenas de história ou artes, mas também na matemática, português, geografia e outras. Enfim, a proposta aponta no sentido de que todos os mediadores envolvidos, tanto o setor educativo do museu, quanto diretores, professores, e especialistas da educação, trabalhem juntos, com o propósito de despertar no aluno o desejo de aprender, conhecer e investigar as identidades de Pará de Minas e da sua população.

As Ações Educativas começaram em 2010, consubstanciando as parcerias entre o Museu, Secretaria Municipal de Educação e Superintendência Regional de Ensino de Pará de Minas.

Os projetos realizados no período 2010 a 2012 foram investimentos feitos no diálogo entre o Museu e a comunidade escolar para a promoção da cidadania, investimentos na formação dos guardiões do Patrimônio de Pará de Minas.

Os Projetos
Foram três projetos elaborados e executados no período entre 2010 e 2012, envolvendo alunos da Educação Infantil e das séries iniciais do Ensino Fundamental das redes Municipal, Estadual e Particular de Ensino de Pará de Minas.

A cada ano era proposto, analisado e aprovado pela equipe do Muspam um tema a ser desenvolvido pelos professores

  • 4 Instituto Brasileiro de Museus. Definição aprovada pela 20a Assembléia Geral. Barcelona, Espanha, 6 de julho de 2001. http://www.museus.gov.br/museu/ acesso em 31 de janeiro de 2013.

em sala de aula. Isto acontecia após oficina de capacitação e instrumentalização oferecida pela equipe do Museu aos educadores que serão os responsáveis pela execução do projeto nas escolas.
Vale lembrar que a oficina de capacitação é etapa fundamental para o sucesso do projeto: além de proporcionar diálogos entre a equipe do Museu e educadores é também fórum de reflexões, debates e contestações que abrem novas possibilidades de exploração do acervo.

Inicialmente a Equipe do Museu apresenta o tema, contextualiza-o na História e esclarece sobre como o projeto poderá contribuir para a construção de cidadãos comprometidos com o patrimônio. Teoria e prática “falam”, conectam-se, em todo o decorrer da oficina. Contando com a participação de um representante de cada escola a oficina tem duração de quatro (4) horas. O planejamento do trabalho, ou da Ação Educativa, é apresentado aos educadores que o analisam; depois eles se dividem em grupos, trocam idéias e sugerem diferentes formas de realizar o planejamento. O aprendizado lúdico, por meio de teatros, brincadeiras, músicas, competições investigativas, entre outros, é sugestão frequentemente escolhida. Ao final das oficinas observa-se grande aproximação e interação entre os educadores e a equipe do Museu.

“O diálogo entre profissionais permite a socialização de práticas e descobertas, o confronto de concepções, o  exercício de atitudes. (…) Esse processo de mão dupla  – emissão e recepção de ideias pode gerar, em ambos  os sujeitos de um diálogo,      movimentos tanto de reafirmação de ideias anteriores quanto de reconsideração de outras⁵.”

O encantamento pelo material

A equipe do MUSPAM conclui hoje, após estas experiências com Ações Educativas no município de Pará de Minas, que trabalhar com crianças da Educação Infantil e das séries iniciais do Ensino Fundamental exige a elaboração de material capaz de encantar, tanto crianças, quanto professores.

  • 5 Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais. Superintendência de Museus. Escola e Museu, Diálogo e Prática. Belo Horizonte, 2007.

Material que leve a uma descoberta lúdica das identidades pará-minenses entre as crianças, por caminhos também lúdicos.

Este material confeccionado contém réplicas em miniatura de objetos pertencentes ao Museu que percorreu a rede escolar do município.

A proposta para o material nas escolas indicava que o professor o trabalhasse conforme experiência vivenciada na Oficina de Capacitação, finalizando com uma visita dos alunos e professor ao MUSPAM. A cada Ação Educativa um material diferente foi elaborado para o trabalho nas escolas.

“Aqui Mora Minha História”

O material desta Ação Educativa consistiu de uma caixa de madeira cuja tampa trazia a fotografia do MUSPAM; abaixo, a frase impressa “Aqui Mora Minha História”. A fotografia representava a “casa” onde está guardada a história/memória de Pará de Minas. Foram confeccionadas seis caixas pela equipe do MUSPAM para serem trabalhadas nas escolas participantes do projeto. Dentro de cada uma delas foram colocadas réplicas em miniatura de objetos que poderiam ser manuseados pelos alunos: carro de boi, vasilhame de leite, cesto de ovos, unidade de medida, um fuso de barro, uma machadinha de pedra polida, duas telas pertencentes à antiga matriz da cidade que foi demolida em. 1971, uma carta comercial de 1847, um panfleto de propaganda de teatro de 1956, treze fotografias contendo imagens da cidade a partir de 1896. As fotografias foram reproduzidas em papel laminado para o manuseio das crianças. Utilizando esses objetos e fotografias o professor pode “mostrar” as raízes do município, trazer a Pará de Minas do passado de volta ao presente, resgatar a importância da atividade agrícola em seu desenvolvimento e seu crescimento.

Esta Ação Educativa teve como objetivo divulgar junto à comunidade escolar a importância do Museu como guardião da memória da cidade, despertando nela o interesse em conhecer o MUSPAM, a vontade de entrar naquele espaço, sentir-se parte daquela história contada ali, por meio dos objetos. A iniciativa também propôs-se a ampliar o diálogo entre o Museu e a comunidade escolar, estimulando a valorização de bens materiais e imateriais da cidade; promover maior interação entre os educadores e a equipe do Museu; ainda, propôs-se a difundir entre os educadores o acervo ali existente e também o materialdisponível para as pesquisas escolares. Finalmente, a iniciativa dentro da Ação Educativa teve como escopo trabalhar a Educação Patrimonial nas escolas, incentivando práticas preservacionistas do patrimônio cultural, estabelecer elos entre os princípios da Educação Patrimonial e dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental, fortalecer a relação da comunidade com suas heranças culturais, e ainda, promover o conhecimento e a valorização do patrimônio do município. As seis caixas percorreram trinta e nove (39) escolas no período de três meses, e o cronograma determinava uma semana para cada educandário.

“Encantando-se com o Moleque Beijo-Benjamim de Oliveira, Patrimônio de Pará de Minas”
Esta Ação Educativa teve como propósito resgatar a história do primeiro palhaço negro do Brasil, Benjamim de Oliveira, filho de Pará de Minas.

Benjamim nasceu na Vila do Pará (atual Pará de Minas), na fazenda dos Guardas, em 11 de junho de 1870, quarto filho dos escravos Malaquias Chaves e Leandra. Malaquias amansava burro bravo e gozava de certo prestígio com o dono da fazenda onde vivia. Era também uma espécie de capataz, frequentemente incumbido de capturar negros fugidos. Segundo Benjamim, Malaquias dava-lhe surras diariamente. Aos 12 anos Benjamim já havia exercido várias profissões: “madrinha de tropa”, carreiro, candeeiro, guarda-freio; também ajudou o pai a amansar burro bravo. Nas horas vagas vendia bolo na porta dos circos que passavam pela cidade. Benjamim fugiu com o Circo Sotero Villela. Era um rancho de taipa que se instalou no Largo do Chico Torquato, atualmente onde localiza-se uma escola de Ensino Fundamental do município Pará de Minas. De acordo com a historiadora Ermínia Silva, a figura do pai e o modo como Benjamim era tratado por ele, encorajaram a fuga e o enfrentamento das consequências da mesma.

Para esta Ação Educativa o MUSPAM novamente contou com a disponibilidade dos professores da rede escolar de Pará de Minas, contou também com informações sobre Benjamim de Oliveira extraídas da pesquisa feita pela historiadora Ermínia Silva, e publicada no livro Circo-teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil . O MUSPAM também realizou pesquisa, feita por sua equipe, utilizando documentos do Arquivo Público de Pará de Minas.

Dentro desta Ação, ainda foi possível chamar a atenção para a importância do resgate histórico das comunidades rurais da cidade, tendo como ponto de partida a comunidade dos Guardas, local em que Benjamim nasceu.

Durante a oficina com os professores foram abordadas as possibilidades de se trabalhar o circo em sala de aula na perspectiva da diversidade, além da contribuição para o cumprimento da Lei No 10.639/03, com as modificações da Lei No 11.645/08 − que torna obrigatório o ensino da história da África, dos africanos, do negro no Brasil e suas lutas, nas escolas do País −, para a construção de uma identidade negra   positiva dentro do ambiente escolar.

Foram preparadas seis malas do tipo “A Mala do Palhaço Benjamim”, para serem utilizadas em sala de aula com as crianças. Cada uma delas continha: uma roupa de palhaço (tamanho adulto), tinta branca para pintar o rosto (era característica de Benjamim pintar o rosto de branco para se apresentar), um par de meião, um espelho, um cubo de acrílico contendo fotos inéditas de Benjamim, um CD ROM com músicas gravadas pelo palhaço em 1912 e um boneco de feltro representando Benjamim. A escolha dos objetos que seriam postos na mala foram cuidadosamente pensados pela equipe do MUSPAM; eles deveriam ser parte dos registros históricos. Os objetos, a própria Mala, foram propostos como meios lúdicos a serem utilizados pelos professores para trabalhar também de maneira lúdica, a vida de Benjamim, apresentando às crianças a história de vida, luta e resistência do primeiro palhaço negro do Brasil. As malas correram as escolas das séries iniciais do Ensino Fundamental e Educação Infantil de toda a rede escolar de Pará de Minas. Durante a realização da Ação Educativa muitas escolas convidaram a Equipe do MUSPAM para uma visita cujo objetivo era conhecer de perto, ao vivo, os trabalhos dos professores e alunos realizados durante o projeto.

“Coleções e Memória”

A Ação Educativa “Coleções e Memória” trabalhou a memória histórica do município tendo como foco o idoso, cidadão, por excelência, guardião da história. A Ação provocou reflexões sobre documentos, fotografias, réplicas de objetos que pertenceram a um “vovô” de Pará de Minas. Um vovô que guardou para si coisas preciosas e significantes da sua história. (Re) construindo a história deste “vovô” a criança pode (re) construir a história de Pará de Minas. Com esta Ação, o MUSPAM teve como objetivo trilhar caminhos para a construção da cidadania, focando e valorizando o idoso como cidadão que tem muitas experiências para compartilhar; o idoso que merece respeito e admiração, com importante contribuição para a preservação da memória. O MUSPAM considerou não somente a necessidade de trabalhar a valorização do idoso, mas trabalhá-la junto às crianças, buscando o diálogo entre as diferentes gerações. A Ação trabalhou a promoção da cidadania por meio da Educação Patrimonial e da valorização do idoso, trabalhando em parceria com a Educação para a construção de guardiões do patrimônio de Pará de Minas formando cidadãos mais conscientes sobre o passado.

O material preparado foi “O Baú do Vovô”. Este baú continha brinquedos antigos de um vovô, tais como bilboquê, bola de meia, pião, bolas de gude. Também estavam dentro do baú uma réplica do primeiro jornal de Pará de Minas “A Cidade do Pará”, publicado em 1894, um álbum de fotografias de crianças na década de 1920, 1930 e 1950, também fotografias que registram momentos importantes na história da cidade como inauguração do prédio da primeira indústria de tecidos da cidade. A criança ao ver e tocar no baú, imaginaria que um vovô guardou ali lembranças do seu tempo, e agora, ela estava conhecendo um pouco daquela história passada, um pouco da história da cidade. Foram confeccionados quatro baús que correram as escolas de Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental de Pará de Minas.

Conclusão

Trabalhar com Ações Educativas marcou a história do Museu Histórico de Pará de Minas. Foi possível perceber ao longo dos projetos supracitados grande aproximação entre a sociedade pará-minense e a instituição Museu. É possível afirmar que as crianças passaram a levar seus familiares a participarem mais ativamente das atividades do Muspam.

Elas passaram a levar seus pais ao Museu aos domingos e também após o término da escola. Mães e pais relatavam ao chegar na recepção, que o filho começou   a insistir para que os pais o levassem ao Museu.. Enfim, queriam que os familiares soubessem que estavam trabalhando na escola conhecimentos e material transmitidos pelo Museu.

O site do museu www.muspam.com.br nas páginas contendo as fotografias das turmas, das oficinas, do material pedagógico, passou a ser muito visitado.

Os projetos envolveram ao todo cinquenta e duas (52) escolas de Pará de Minas, atingindo a cada ano um número de aproximadamente dez mil (10.000) alunos. Considerando que cada aluno envolveu no mínimo dois familiares, este número cresce para vinte mil (20.000).

As Ações Educativas movimentaram as atividades do Muspam, auxiliando-o no alcance dos objetivos de resgatar, preservar e divulgar a memória e o patrimônio histórico de Pará de Minas, valorizando-o.

Foi possível observar que muitas crianças passaram a se identificar mais com o Museu como a “casa da memória” da cidade a partir do momento em que Educação e Cultura deram as mãos por meio das Ações Educativas. Diretores de escolas, especialistas educacionais e professores demonstraram no decorrer destes três anos grande satisfação com os projetos e passaram a solicitar visitas do setor educativo nas escolas.

A equipe do Muspam observou que a premiação do Passeio Cultural a outros museus em Belo Horizonte, permitiu a crianças moradoras de periferias, do campo, enfim, crianças que vivenciam realidades diversas, conhecerem estes espaços e ampliarem seus horizontes para o nascimento de novos sonhos.

Diálogos entre elas durante os passeios culturais confirmaram o sucesso das Ações e o reflexo positivo em suas perspectivas.

As Ações Educativas demonstraram à Equipe do MUSPAM que foi criado um estímulo para a sua continuidade. E este estímulo vem da comunidade escolar para dentro do Museu. Então, o espaço do MUSPAM hoje tem uma dinâmica própria no município; tornou-se um polo cultural, produtor de cultura pelo conhecimento do passado, produtor de cultura por meio do produto cultural que ele guarda.

Referências Bibliográficas

CAMPOS, Ana Maria de Oliveira. Histórico do Museu de Pará de Minas. www.muspam.com.br acesso em 20 de janeiro de 2013.

GRISPUM, Denise. Educação para o Patrimônio: Museu de arte e escola –Responsabilidade compartilhada na formação de públicos. apud Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais. Superintendência de Museus e Artes Visuais. Coleção Falando de Ação Educativa em Museus. Belo Horizonte. 2011.

Instituto Brasileiro de Museus. Definição aprovada pela 20a Assembléia Geral. Barcelona, Espanha, 6 de julho de 2001.http://www.museus.gov.br/museu/ acesso em 31 de janeiro de 2013.

SANTOS, Myrian Sepúlveda dos. Museus Brasileiros e Política Cultural.Revista Brasileira de Ciências Sociais. vol.19, no55, junho. 2004.

Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais. Superintendência de Museus. Escola e Museu, Diálogo e Prática. Belo Horizonte, 2007.

(*) Professora de História da rede Pública de Ensino, Coordenadora do Setor Educativo do Museu Histórico de Pará de Minas. Especialista em História e Cultura de Minas Gerais pela PUC Minas. Possui Aperfeiçoamento em História da África e Cultura Afro-Brasileira pela UFMG.