Benedito Valadares Ribeiro nasceu em Pará de Minas (MG), em 04 de dezembro de 1892, na fazenda da Cachoeira, atualmente pertencente ao município de Florestal. É filho do Cel. Domingos Justino Ribeiro e Antônia Valadares Ribeiro. Fez o curso primário em Pará de Minas e o secundário em Belo Horizonte.
                               Advogado, diplomou-se pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro em 1920. Antes, havia concluído o curso da Faculdade de Odontologia de Belo Horizonte, mas não se dedicou a esta profissão. Regressou à  cidade natal após concluir seus estudos, exercendo a advocacia e atuando no magistério como professor do Ginásio Paraense. Simultaneamente a essas atividades, iniciou sua carreira política como vereador em 1923. 
                               Em 1930 deu apoio à candidatura presidencial de Getúlio Vargas, lançada pela Aliança Liberal, coligação que reunia os setores políticos dirigentes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, além das oposições dos demais Estados. Quando o movimento revolucionário que levou Vargas ao poder foi deflagrado, em outubro de 1930, chefiou o movimento político em Pará de Minas e assumiu o poder executivo do município, sendo confirmado no cargo de Prefeito por Olegário Maciel, Governador do Estado de Minas Gerais. Permaneceu nessa função até 28 de fevereiro de 1933.
                               Íntimo colaborador do governador mineiro, participou do combate ao movimento revolucionário desencadeado em São Paulo contra o governo federal como chefe de polícia do destacamento militar, em 1932. Estava iniciada a minha ascensão na carreira política, escreveu  sobre o episódio no seu livro de memórias. No ano seguinte, filiado ao Partido Progressista (PP), foi incluído na chapa do partido às eleições para a Assembléia Nacional Constituinte. Derrotado nessa primeira tentativa de chegar à Câmara Federal, só obteve seu mandato nas eleições suplementares realizadas meses depois.
                              Em setembro de 1933 a política mineira foi abalada pela morte do governador Olegário Maciel. Para a sua sucessão apresentaram-se dois fortes candidatos : Gustavo Capanema, que havia assumido o governo interinamente logo após a morte de Olegário reivindicava a sua efetivação no cargo, e Virgílio de Melo Franco, importante articulador do movimento revolucionário em 1930 e que também pleiteava junto a Vargas sua nomeação como interventor federal no Estado. A importância de Minas Gerais no cenário político nacional atraía a atenção de políticos de outros estados para a sucessão estadual. Assim, enquanto Capanema recebia o apoio decidido do governador gaúcho Flores da Cunha, Virgílio de Melo Franco era apoiado pelo ministro Oswaldo Aranha. Pressionado, Vargas surpreendeu a todos ao indicar  para o cargo um político de pouca expressão e completamente desvinculado das facções em disputa. Benedito Valadares foi nomeado Interventor Federal em Minas Gerais, em 12 de dezembro de 1933, e empossado no dia 15 do mesmo mês. Nos anos seguintes, Valadares se tornaria um dos mais fiéis aliados de Vargas nos embates políticos travados pelo presidente.
                             Em abril de 1935, dia quatro, foi eleito pelos deputados constituintes mineiros como governador constitucional do Estado. Esteve nos anos seguintes no primeiro plano das articulações com vistas à sucessão presidencial, prevista para janeiro de 1938. Acabou, porém, por apoiar decididamente o projeto continuista de Vargas, que em novembro de 1937 cancelou as eleições e instaurou a ditadura do Estado Novo. Em seguida, foi confirmado à frente do governo mineiro, onde permaneceu até 29 de outubro de 1945, quando Vargas foi deposto. Nesses anos, consolidou sua imagem de político hábil. Ao mesmo tempo, seu jeito simples foi responsável pelo surgimento de um rico anedotário sobre sua pessoa.
                            Com o final da segunda grande guerra (1939/1945), onde os governos ditadores europeus foram derrotados, a política brasileira agitou-se querendo o fim do Estado Novo. É nesse momento que nasce o  Partido Social Democrático (PSD), agremiação organizada a partir do prestígio que os antigos interventores ainda detinham, dando apoio irrestrito à candidatura presidencial vitoriosa do General Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro da Guerra no governo de Vargas. Valadares exerceu a presidência nacional do PSD por alguns anos. Em MG foi o presidente regional até o Ato Institucional Nº 2, de 1965, que extinguiu os treze partidos políticos, reunindo sob a legenda do PSD as principais forças políticas do estado.
                             Com a queda do Estado Novo, em 29 de outubro de 1945, deixou o governo de Minas se elegendo deputado federal constituinte em 2 de dezembro do mesmo ano. Assumiu o mandato em fevereiro de 1946.  Foi derrotado na disputa por uma vaga no Senado Federal por Minas Gerais, em 1947. Reelegeu-se para a Câmara Federal em 3 de outubro de 1950 e, em 3 de outubro de 1954, finalmente, obteve o mandato de Senador, que foi renovado em 1962, exercendo-o até janeiro de 1971.
                             Em 1964, apoiou o golpe que afastou João Goulart da presidência da República. Em seguida, defendeu o apoio do PSD à ditadura militar. Em 1966, com a extinção dos antigos partidos, ingressou na Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime. 
                             Em 1970 não se candidatou à reeleição e, em 02 de agosto, compareceu à convenção da Arena, em Belo Horizonte, para votar e se despedir da vida pública. Fez o seguinte   pronunciamento: Nesta oportunidade, cumpre-me declarar que não sou mais candidato ao Senado da República, a fim de dar oportunidade a que outros possam prestar serviços à Nação. Assim procedendo, fico de acordo com a minha consciência e com a minha dedicação ao Estado de Minas Gerais. Estou certo de que os mineiros saberão escolher representantes à altura das tradições do nosso Estado, para que sejam solucionadas as dificuldades da hora presente. Contarão, naturalmente, com o meu modesto apoio, onde quer que eu esteja.
                              Benedito Valadares deixou o Senado no início de 1971, encerrando sua carreira política. Faleceu no Rio de Janeiro, em 2 de março de 1973, sendo sepultado em Belo Horizonte, no cemitério do Bonfim. Após seis anos, seus restos mortais foram trasladados para Pará de Minas, em 2 de março de 1979.


Fontes:

– Arquivos Muspam
– http://www.cpdoc.fgv.br/nav_historia/htm/biografias/ev_bio_beneditovaladares.htm