por Terezinha Campos Mendonça

Geraldina Campos de Almeida, mais conhecida como “Dina” ou “Dina do Jafé”, é filha do cirurgião dentista Jafé Almeida e Maria da Conceição de Oliveira Campos. Nasceu na então Cidade do Pará [Pará de Minas] em 09 de novembro de 1908. O teatro foi a sua paixão, mas exerceu também o magistério em Onça de Pitangui, além de ser costureira, talento que muito utilizou em suas produções teatrais.

A aptidão para as artes herdou do pai, um admirador compulsivo de teatro, cinema[instalou o “Cinema Familiar”, o 2.º da cidade], circo e música. Nela , direcionou-se para a arte cênica.

Dina do Jafé escolhia as peças teatrais com grande cautela, para não ir contra os princípios morais vigentes na sociedade local da época. Às vezes tinha que reescrevê-las, adaptando as expressões consideradas impróprias… Beijos e abraços então… não se admitiam!

Acumulava várias funções: diretora, sonoplasta, coreógrafa, figurinista, ponto, divulgadora do evento e o que mais precisasse e, no entanto, era extremamente tímida, não gostava de estar em evidência! Comprova a afirmativa a dificuldade em encontrar uma foto sua.

Como diretora de teatro sempre foi genial e criativa, de vanguarda mesmo, como quando colocou pela primeira vez em teatro uma música de fundo identificando cada personagem. Somente anos depois este recurso seria utilizado pelos outros.

Ela buscava o melhor na personalidade de cada um para compor o personagem e, de tal forma, que não havia risco de igualdade e monotonia nas interpretações. O resultado era o enriquecimento humano e artístico dos integrantes do grupo.

Dina dirigiu e montou inúmeras peças, inclusive, levando-as para as cidades vizinhas, sempre para causas beneficentes. Eram espetáculos magistrais, de alto nível e, segundo figuras ilustres de Pará de Minas que frequentavam os espetáculos da capital do país, como Torquato de Almeida e seu irmão Dr. Theóphilo “em nada ficam a dever aos teatros profissionais do Rio de Janeiro”.

Passaram por sua hábil e promovedora direção inúmeras pessoas que tiveram seu potencial artístico despertado e desenvolvido, algumas sobressaindo-se na arte da interpretação: José Campos de Almeida, Raimundo Simões, Geraldo Melo Guimarães(Tatá), Dr. Márcio Morais, Nadir Campos de Almeida, Lola Lima e Silva Aguiar, Clarice Campos de Almeida, Célia Varela, Jackson Campos de Almeida, Dalva e Mariúte Frágula, Dr. Osvaldo Ribeiro Lage, Dr. Paulo Guimarães, Ana Capanema, Violeta Campos de Almeida, José Raimundo de Moura[Zé da Quina], Jane Gipse Almeida, Gilberto Campos Mendonça, Maria Mendes, Terezinha Campos Mendonça, Júlio Melo Leão, Marcos Pereira, Jafé Emídio de Oliveira, Maria Célia e Mariza Abreu, Vicente de Paulo Mendonça, Helena Goebel, Maria Antonieta Pereira Campos, José Palhares Filho, Hugo Marinho, José Raimundo Meireles Filho, Maria Ângela, Solange e Dulce Grassi, Ninice e Natália Marinho,Cira Mendonça, Isabel Carvalho, Maria Helena Costa, Sara Valadares, entre outros.

Algumas peças produzidas e dirigidas por ela: O coração não envelhece, Amigo da paz, Aventuras de um rapaz feio, Saudade, A morte do galo, Cem gramas de homem, A borboleta e a abelha, A cigana me enganou, Irene, Feitiço, Morre um gato na China, Mãos de Eurídice, Sol de primavera, Society em babydoll, entre outras.

O figurino era composto das casacas e outras peças emprestadas pelo Cel. Torquato de Almeida, Major Silvino Silva e outros incentivadores. O que faltava ela criava e, com suas irmãs, as confeccionava para não ultrapassar o orçamento.

O cenário era montado até com bambus, quando necessário. As pinceladas do seu tio Quinquim [o dentista Joaquim de Almeida Paiva], do Orlandino, as sugestões do seu irmão Geraldo Campos, a boa vontade e entusiasmo de todos os envolvidos superavam os obstáculos cênicos.

Dina, com seu talento, humanidade, caridade, psicologia de vida movimentou a cidade, incentivando o saudável hábito de apreciar uma boa peça teatral. Tantos dons acumulados em uma figura pequena, de passinhos miúdos, olhar vivo e doce, sorriso sempre amável e comunicativo! Essa pequenina grande mulher, que passou por Pará de Minas com sua luz artística, na incansável missão de promover o ser humano e as boas causas, foi como um meteoro com a alegria de sua arte pura que elevou e encantou a todos. Faleceu em 02 de julho de 1979.

Na história do teatro de Pará de Minas Geraldina Campos de Almeida – Dina do Jafé – é um expoente e tem o seu nome incrustado em ouro.