Ovídio Xavier de Abreu nasceu em Pará de Minas (MG) no dia 28 de setembro de 1898, filho de Alexandre Abreu e Silva, pequeno fazendeiro, e de Rosina Amélia Xavier de Abreu.
Estudou no grupo escolar de Pará de Minas, no Externato Professor José Pereira da Costa e no Instituto Lafayette, no Rio de Janeiro. Obteve mais tarde o diploma de técnico em economia e finanças.

Ingressou em 1919 no Banco do Brasil, mediante concurso. Ocupou cargos em agências do banco em outros estados do país. Permaneceu em Goiás até 1926, quando retornou ao Distrito Federal, sendo designado em seguida gerente do banco em Bajé (RS). Ainda a serviço do Banco do Brasil, fez viagens à Inglaterra, ao México e aos Estados Unidos, para o estudo da organização de entidades públicas ligadas à economia, às finanças e à administração.

Em fins de 1933, com a nomeação de Benedito Valadares para o cargo de interventor federal em Minas Gerais, foi convidado para as funções de chefe de gabinete do novo interventor, como ele, natural de Pará de Minas e seu amigo de juventude. Exerceu a chefia do gabinete apenas por dois meses, sendo em seguida nomeado secretário de Finanças de Minas Gerais devido à sua experiência anterior no Banco do Brasil. Assumiu o novo cargo em fevereiro de 1934.

Na qualidade de secretário de Finanças, ocupou interinamente a interventoria no período em que Valadares dela se afastou para poder ser eleito governador do estado pela Assembléia Constituinte mineira (abril de 1935). Em seguida, permaneceu à frente da secretaria até maio de 1941, e em sua gestão participou dos congressos cafeeiros de 1934 e 1940, da Conferência de Secretários da Fazenda reunida no Rio de Janeiro em 1938 e da Conferência Nacional sobre Assuntos Tributários, realizada em 1941.

Em maio de 1941, deixou a Secretaria de Finanças para assumir o cargo de secretário estadual de Interior e Justiça, o qual ocupou até dezembro de 1944, quando o presidente Getúlio Vargas nomeou-o para a presidência do Departamento Nacional do Café (DNC), no lugar de Jaime Fernandes Guedes. Em sua gestão, enfrentou grave crise provocada pela insatisfação dos cafeicultores com a política nacional para o produto, o que ficou claro durante o VII Congresso da Lavoura realizado em junho de 1945. Os produtores criticavam o Acordo de Washington, de 1940, o qual fixara preços estáveis para o café até 1946. Reivindicavam ainda que o DNC não vendesse seus estoques próprios, permitindo o escoamento da produção dos fazendeiros, chegando mesmo a defender a própria extinção do departamento. A crise se aguçou durante a elaboração do Convênio Cafeeiro de 1945 em São Paulo. Nessa ocasião, entre outras reivindicações, a Comissão de Mobilização da Lavoura insistiu no aumento do preço do produto, esbarrando mais uma vez na impossibilidade de revisão dos termos do Acordo de Washington, o que já havia sido tentado pelo governo brasileiro em junho de 1944.

O impasse persistia quando, com a deposição de Getúlio Vargas (29/10/1945), Ovídio de Abreu pediu exoneração da presidência do DNC. No ano seguinte, o general Eurico Gaspar Dutra, recém-empossado na presidência da República, convidou-o a reassumir o cargo, o que aceitou. Em sua nova gestão, porém, cuidou praticamente apenas da liquidação do órgão, que foi finalmente extinto em junho de 1946.

De volta a Minas Gerais após a extinção do DNC, Ovídio de Abreu dedicou-se aos trabalhos de organização em seu estado do Partido Social Democrático (PSD), do qual havia sido um dos fundadores em abril do ano anterior. Em outubro de 1946, foi nomeado diretor da Carteira de Redescontos do Banco do Brasil. Tendo ocupado interinamente a chefia de gabinete do ministro da Fazenda, Pedro Luís Correia de Castro, assumiu a pasta, também em caráter interino, entre setembro e novembro de 1948, por motivo de doença do titular. Em julho do ano seguinte, foi nomeado presidente do Banco do Brasil.

Em fins de 1949, seu nome passou a ser cogitado por setores do PSD mineiro — e nacional — para candidato à presidência da República na legenda do partido, no pleito de outubro do ano seguinte. Na sessão da Câmara do dia 11 de novembro, João Café Filho afirmou que um dos grupos políticos mineiros que pretendiam apontar o candidato à presidência defendia a sua candidatura. Ainda em novembro, no dia 21, sua indicação foi discutida na reunião do conselho nacional do PSD, e seu nome incluído na relação de possíveis candidatos do partido à presidência.

No início de 1950, enquanto o PSD ainda não se havia definido quanto ao nome que apresentaria nas eleições, a União Democrática Nacional (UDN) lançou seu candidato, o brigadeiro Eduardo Gomes. Nesse momento, comentou-se que se estabelecera uma aliança entre o PSD e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), a qual apoiaria Ovídio de Abreu para presidente e o petebista gaúcho Joaquim Pedro Salgado Filho para vice. Afirma-se que Getúlio Vargas prometeu, em abril, apoiar a candidatura de Ovídio, desde que a vice-presidência coubesse ao PTB e que a maioria do PSD e Ademar de Barros o apoiassem.

Finalmente, em maio de 1950, o diretório nacional do PSD definiu-se pela candidatura de Cristiano Machado à presidência. Em junho a coalizão entre o PTB e o Partido Social Progressista (PSP), de Ademar, lançou o nome do próprio Getúlio Vargas, que conseguiu o apoio de boa parcela do PSD. Desse modo, a candidatura do partido se viu consideravelmente esvaziada. No pleito de outubro, a presidência foi conquistada por Vargas, e Ovídio de Abreu, candidato a deputado federal por Minas na legenda do PSD, elegeu-se com a maior votação do estado (43.115 votos). Em dezembro de 1950, deixou a presidência do Banco do Brasil, para assumir seu mandato na Câmara em fevereiro do ano seguinte.

Em 1952, casou-se com Júlia de Abreu, filha de um comerciante de Araxá (MG). Sucessivamente reeleito em 1954, 1958 e 1962, sempre na legenda do PSD, em novembro de 1964 tornou-se líder de seu partido na Câmara. Nesse ínterim, ingressou em 1957 na Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, bacharelando-se em 1961. Realizava assim um projeto que alimentava desde a juventude, e que a carreira no Banco do Brasil e na política haviam impedido. Entre 1959 e 1960, coordenou o setor financeiro da campanha eleitoral do marechal Henrique Teixeira Lott, candidato à presidência da República apoiado pelo PSD e o PTB.

Em 1961 foi favorável à instituição do parlamentarismo como forma de possibilitar a posse de João Goulart na presidência da República. A partir de 1962, no entanto, apoiou a antecipação do plebiscito que, em janeiro seguinte, restaurou o presidencialismo. Nesse período, manifestou-se partidário de uma reforma agrária cooperativista, admitindo a desapropriação de latifúndios, desde que previamente indenizados em dinheiro. Defendeu o monopólio estatal do petróleo, dos minérios atômicos e das telecomunicações.

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se ao partido situacionista, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), em cuja legenda tornou a reeleger-se deputado federal em novembro de 1966. Entretanto, em março de 1967, um mês depois do início da nova legislatura, deixou a Câmara por ter sido nomeado secretário da Fazenda de Minas Gerais, na gestão do governador Israel Pinheiro, cargo em que permaneceu até 1970, exonerando-se antes do final do mandato do governador.

Foi diretor da Companhia de Cimento Portland Paraíso em 1972 e, anteriormente, diretor do Serviço de Defesa Civil de Minas Gerais. Depois de retirar-se da vida pública, fixou residência no Rio de Janeiro.

Ovídio de Abreu foi autor de inúmeros planos, regulamentações e instruções, publicados em órgãos especializados e na imprensa. Escreveu também trabalhos sobre economia e finanças, especialmente questões tributárias.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 13 de dezembro de 1990.
Do seu casamento com Júlia Santos de Abreu, teve quatro filhos.

Robert Pechman

FONTES: ANDRADE, F. Relação; ARQ. GETÚLIO VARGAS; BULHÕES, A. Ministros; CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; CAMPOS, Q. Fichário; CARONE, E. Estado; CISNEIROS, A. Parlamentares; CONSULT. MAGALHÃES, B.; DULLES, J. Getúlio; Encic. Mirador; ENTREV. BIOG.; Globo (14/12/90); Grand encic. Delta; Grande encic. portuguesa; HIPÓLITO, L. Campanha; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; INST. BRAS. CAFÉ; Jornal do Brasil (14/12/90); MIN. FAZ. Ministros; MONTEIRO, F. Banco; MOURÃO, M. Dutra; MUSEU DO BANCO DO BRASIL; Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76), Rev. Comércio do Café (12/44); ROQUE, C. Grande; SOARES, E. Instituições; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (2).

(Texto retirado em 28.10.2010 do endereço http://www.fgv.br/CPDOC/BUSCA/Busca/BuscaConsultar.aspx?id=busca_rapida)